Cena I

1940. Tarde. HOMEM olha a vitrine de uma joalheria. 

HOMEM- Aquele ali. Não o da esquerda. Esse mesmo. Lindo, não? É para alguém especial. Pode embrulhar. 
 

Cena II

Noite. Sala de estudos de MULHER. MULHER está vestida de noiva. MULHER se admira calmamente no espelho. ELE entra. 

ELE- Já está tudo pronto. Vamos?  

MULHER- Vamos.  

ELE- Você está linda. Meu filho tem muita sorte de te ter como esposa.  

(Longa Pausa)  

(MULHER leva a mão d’ELE de seus seios até o meio de suas pernas) 
 

Cena III

Cena anterior congela. Noite. HOMEM e MULHER conversam descontraidamente num bar.  

MULHER- … Não ri que foi verdade. Juro. 

HOMEM- Coitado do seu pai. 

MULHER- Coitado do cachorro. Papai se recuperou depois. Mas acabaram por sacrificar o pobre do animal. 

(Longa Pausa) 

HOMEM- Eu…

MULHER- Eu…

MULHER- Não, não, fale você. Já falei demais essa noite. Conte alguma coisa de você. 

HOMEM-O quê, por exemplo? 

MULHER- Você é casado? 

HOMEM- Não. 

MULHER- Tem filhos? 

HOMEM- Não. 

MULHER- Já passou algum dia… 

(HOMEM beija MULHER na boca) 

MULHER- Não faz assim… Eu juro… 

HOMEM- Não precisa prometer nada. 

(HOMEM e MULHER dançam coladinhos ao som de uma canção) 
 

Cena IV

MULHER volta para sua última marcação na Cena II. Cena descongela. Ação prossegue. 

(MULHER e ELE transam) 

(ELE sai de cena) 

(HOMEM entra em cena) 

(MULHER passa a mão entre suas pernas e passa na cara de HOMEM) 

MULHER- Satisfeito? (Pausa) Diz alguma coisa! Diz que eu não te mereço. Diz que você me odeia, que eu sou uma puta. Diz que você nunca mais quer me ver. Diz que eu sou um mostro. 

(HOMEM chora e abraça MULHER)  

HOMEM- Eu me sinto tão humilhado. 

MULHER- Eu também. (Pausa). Seu pai… 

HOMEM- Ele é um homem. Você uma mulher. Como ele outros virão… Mas só eu ficarei. 

(Longa Pausa) 

MULHER- Essa é sua última chance de ir. 

HOMEM- Eu sei. 

MULHER- Eu juro… 

HOMEM- Não precisa prometer nada. 

(Canção toca ao fundo) 

MULHER- Nosso primeiro encontro… 

HOMEM- Foi ali que minha vida começou. 

(HOMEM e MULHER dançam coladinhos) 

 (Guálter Dídimo)

Bissexualidarismo

outubro 25, 2008

H- É que eu queria perder a virgindade com você.

X- Calma, cara, eu nunca nem vi o teu pinto.

H- E qual o problema disso?

X- Sei lá… vai que na hora de me abrir, tu tem um pinto pequeno.

H- Algum problema com pintos pequenos?

X- Meu filho, pro estado que eu estou hoje, não é qualquer coisa que preenche…

H- Quer ver agora? Posso ligar a web cam.

X- Não, acho melhor não… Sabe o que é, uma amiga minha teve uma experiência de pinto virtual, e não foi nem um pouco agradável.

H- Como assim?

X- Era um antigo professor de história dela. Ele tava dando em cima dela, aí eles começaram uma conversa de vídeo e tal, mas quando apareceu a imagem dele, ele tava com o pau na mão, batendo pra ela, e era um pau tão miudinho… deve ter sido traumatizante pra coitada.

H- Como é que você sabe?

X- Ela me mandou um print screen… Depois disso, transamos a noite toda.

H- Como assim? Não sabia que você gostava disso.

X- Adoro!

H- Vamos transar?

X- Não.

H- Por quê?

X- Porque você está se masturbando agora.

H- Como você sabe?

X- Eu conheço garotos do teu tipo, cara. Cuidado pra não melar o teclado, RS.

H- Algum problema com masturbação?

X- Não… na verdade, sim, quer dizer, depende.

H- Como assim “depende”?

X- É que eu estou me masturbando agora também.

H- Nossa! Mas eu não estou me masturbando.

X- Não?

H- Não.

X- Azar o seu. Porque eu não estava pensando em você, mas sim numa revista.

H- Qual revista?

X- A Tititi dessa semana. Tem uma matéria falando da novela e tal.

H- Ouvi falar que a Donatela vai ser presa! Coitada, tudo por causa daquela FDP da Bia Falcão!

X- Na verdade, a revista diz que ela só vai a julgamento, mas vai conseguir provar inocência por causa do caso com o Juvenal Antena. Mas, cá entre nós, acho que eles estão blefando…

H- Ah, francamente, você não está se masturbando. É brincadeira, né?

X- Porque eu estaria brincando?

H- Pra me deixar excitado… agora já comecei a me masturbar e já gozei duas vezes.

X- Hum, você é rápido!

H- Modéstia à parte… mas nunca fui muito fã desse negócio de ejaculação precoce.

X- Vou te contar uma história. Posso?

H- Só se for excitante.

X- Vamos lá. Semana passada, efui visitar a minha tia. Minha tia é uma velha meio chata, sabe? Nunca gostei dela, de fato. Mas ela, por outro lado, sempre me teve como sobrinho preferido. Quando ela me viu, do outro lado da rua, tratou de pegar sua bengala, e correr ao meu encontro, mas acabou sendo atropelada

(Haroldo França)

 

 

Diálogo entre periquitas

outubro 25, 2008

ATOR 1- Sabe o que é? Eu vou abrir o meu coração. Vou me despir para você.
É que na minha casa, tem umas pedrinhas, sabe? Umas pedrinhas, guardadas bem escondidinhas, em cima da sola do meu sapato. Embaixo da língua. Sabe o que é? Essas pedrinhas as vezes incomodam. Aí eu deito na minha cama, e vejo moscas. São mosquinhas, voando. Me alimento delas. Ligo o meu radinho de pilha, e me ponho a dançar e zunzunzar com elas. É um ritual cabalístico. Elas pousam na minha pele, e então fazem cocô. É aí que elas puxam com todo o cuidado, cada fio de cabelo. Elas os esticam, até me envonver num casulo. E é aí que começa toda essa história! Você pode compreender agora?

ATOR 2- Eu te amo.

ATOR 1- Como ia dizendo. Tudo começa com o casulo. E aí, adivinha o que acontece? Eu começo a sonhar… e em cada sonho mais louco, eu percebo o quanto uma pequena faísca entre pedrinhas pode mudar uma história de vida. As pedrinhas se encontram, e pum! Não é lindo? Pedrinhas no sapato podem ser tudo o que falta nessa vida. Por isso encho cada sapato de pedrinhas, assim meu andar será como os das faíscas, pelo encontro das pedras. É como dizem sobre os beijos entre gays e lésbicas… uma espécie de choque. Nunca mais encontrarei pedras no meu caminho, pois elas já estão dentro de cada tênis! Falando nisso, eu já te disse que te amo hoje?

(Haroldo França)

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