Diálogo entre periquitas

outubro 25, 2008

ATOR 1- Sabe o que é? Eu vou abrir o meu coração. Vou me despir para você.
É que na minha casa, tem umas pedrinhas, sabe? Umas pedrinhas, guardadas bem escondidinhas, em cima da sola do meu sapato. Embaixo da língua. Sabe o que é? Essas pedrinhas as vezes incomodam. Aí eu deito na minha cama, e vejo moscas. São mosquinhas, voando. Me alimento delas. Ligo o meu radinho de pilha, e me ponho a dançar e zunzunzar com elas. É um ritual cabalístico. Elas pousam na minha pele, e então fazem cocô. É aí que elas puxam com todo o cuidado, cada fio de cabelo. Elas os esticam, até me envonver num casulo. E é aí que começa toda essa história! Você pode compreender agora?

ATOR 2- Eu te amo.

ATOR 1- Como ia dizendo. Tudo começa com o casulo. E aí, adivinha o que acontece? Eu começo a sonhar… e em cada sonho mais louco, eu percebo o quanto uma pequena faísca entre pedrinhas pode mudar uma história de vida. As pedrinhas se encontram, e pum! Não é lindo? Pedrinhas no sapato podem ser tudo o que falta nessa vida. Por isso encho cada sapato de pedrinhas, assim meu andar será como os das faíscas, pelo encontro das pedras. É como dizem sobre os beijos entre gays e lésbicas… uma espécie de choque. Nunca mais encontrarei pedras no meu caminho, pois elas já estão dentro de cada tênis! Falando nisso, eu já te disse que te amo hoje?

(Haroldo França)

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